21 de Janeiro de 2018 - Domingo III do Tempo Comum

Duas perguntas

1. É possível fazer o mal e ser feliz?

A Palavra de Deus ensina-nos que não é possível uma pessoa fazer o mal - por exemplo ser desonesta, violenta, infiel, invejosa, impura, mentirosa - e serfeliz. Uma pessoa má pode ser rica, poderosa, influente, mas nunca será feliz.


Mesmo as pessoas que são boas, ou procuram sê-lo, e cometem pecados, como toda a gente, mas sem procurar emendar-se e sem se arrependerem, têm sempre uma sombra nas suas almas, ou às vezes uma grande escuridão, e não são felizes. Alguém que é preguiçoso, ou perde a paciência portudo e por nada, que se droga, que bebe demais, que não respeita o seu próprio corpo ou o dos outros, e não se arrepende, e não procura emendar-se, não pode ser feliz. Porque não vive na verdade. Porque não ama, porque usa mal ou abusa do que Deus lhe deu.

Por isso é que Deus enviou o profeta Jonas à grande cidade de Nínive, dizendo que tinham de se emendar, urgentemente. Se não, a sua vida não ia chegar a lado nenhum. E, para grande surpresa de Jonas, os habitantes de Nínive converteram-se do seu mau caminho, e a cidade não foi destruída.

E por isso é que Jesus, Filho de Deus feito homem, iniciou a sua pregação na Galileia, dizendo: "Cumpriu-se o tempo, e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho".

Por que é que eu tenho de me arrepender? Quanto menos me arrependo e mais me engano a mim mesmo, dizendo que aquele acto ou aquele comportamento não tem mal nenhum, mais mergulho na sombra ou na escuridão, mais me afasto de uma vida feliz.

E quanto mais me arrependo, e peço perdão a Deus, e procuro emendar-me, mais avanço no caminho para ser feliz e para ser aquela pessoa que devo ser. Mais entro na luz e fico em paz, com Deus, comigo mesmo e com os outros.

Na Igreja há um sacramento instituído por Cristo em que dizemos os nossos pecados ao sacerdote, com toda a verdade e sinceridade, um por um. Isto custa, porque nos envergonha. É um exercício de humildade. Mas é muito bom, porque no fim, além de nos aconselhar, o sacerdote absolve-nos e perdoa-nos em nome de Deus. E então, naturalmente, sentimo-nos muito felizes!

2. Que estou disposto a deixar por amor de Jesus?

O Evangelho diz-nos que os apóstolos ficaram fascinados pela presença de Jesus, pelo seu rosto, pela sua bondade, pela força das suas palavras, e deixaram tudo por Jesus. Eram pescadores, tinham os barcos, tinham as redes e até uma tripulação às suas ordens, mas, quando Jesus os chamou, eles deixaram logo as redes, deixaram a sua famma, deixaram os assalariados que os ajudavam, e seguiram Jesus.

E eu, o que é que estou disposto a deixar por Jesus?

Aqui não se trata de deixar coisas más, mas coisas boas, por amor de Jesus, por amor de Deus.

Por exemplo, se estou convidado para um passeio ou para uma viagem em que não está prevista uma hora para ir à Missa, então desculpem, mas não vou. Ou então, meus amigos, organizem a viagem, o passeio - ou o raid TT, se forem escuteiros - de modo que no princípio, no meio ou no fim, ou na véspera, no sábado, haja Missa.

É uma questão de amor a Jesus. É o desejo de O ver e O adorar na Hóstia e no Cálice. É a necessidade de O receber na comunhão e de estar com os outros irmãos na fé.

Voltando à pergunta: que estou disposto a deixar por Jesus?

Algumas vezes poderá ser fechar a televisão ou desligar o computador para fazer a oração que ainda não fiz. Ou sair do quarto para ajudar os irmãos mais pequenos nos trabalhos da escola, ou tratar do bebé que está a chorar, no caso dos pais, ou fazer companhia ou prestar um serviço a um familiar idoso que está de cama, etc., etc.

Ou até deixar a namorada para entrar no Seminário.

Ou deixar o namorado para se dedicar a Deus no mundo ou entrar no convento e ser missionária.

Por que não?

Se Jesus chamar...

Que cada um saiba ouvir o que Jesus lhe disser.

Com a amizade em Cristo do
O Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

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