4 de Fevereiro de 2018 - Domingo V do Tempo Comum

Que mais posso fazer ?

O Evangelho de hoje conta-nos que Jesus saiu da sinagoga de Cafarnaum, e foi, com Tiago e João, a casa de Simão e André. Ora "a sogra de Simão estava deitada com febre e logo Lhe falaram dela". Imediatamente, "Jesus aproximou-Se, tomou-a pela mão e levantou-a. A febre deixou-a, e ela começou a servi-los". Foi tudo muito simples, mas este milagre tão «familiar» ensina-nos como é que Jesus continua hoje a relacionar-se com cada ser humano. Aatitude de Jesus para com esta mulher é idêntica à que tem para com todos: Jesus aproxima-Se carinhosamente de nós, de cada um de nós, e de todos os homens.

Precisamos de sentir esta proximidade de Jesus em todas as circunstâncias da nossa vida, nos momentos de alegria e quando tudo corre bem, e também nos momentos difíceis, nas horas de prova e de dor. De um modo especial, os doentes precisam muito de sentir que Jesus Se aproxima deles, que os toma pela mão e os acompanha com toda a intensidade do seu carinho e do seu amor, nessa hora de sofrimento.


A 1ª leitura, no entanto, reflecte uma situação contrária a esta. Fala-nos de Job, um homem que perdeu tudo: perdeu os filhos, perdeu todos os bens que tinha, perdeu a própria saúde. Esmagado pela dor, Job caiu no desespero, e não tem um momento de tranquilidade. Job é uma imagem impressionante do homem que sofre sem ainda conhecer Jesus, e para quem é quase impossível superar o escândalo da doença e do mal. Mas hoje, tudo é diferente: temos a graça de conhecer Jesus Cristo e de poder anunciá-Lo. E sabemos que, com Jesus, tudo ganha um sentido novo. A cada homem que sofre, a cada doente, podemos dizer: «Jesus está contigo, aproximou-Se, não te deixa só. Procura vê-Lo junto de ti, sofre com Ele e, se fores capaz, oferece-Lhe o teu sofrimento».

Este anúncio é vital para todos. É preciso anunciar Jesus a quem está doente, em particular aos que vivem a prova dolorosa de uma doença grave, para que todos experimentem a graça, a força e a consolação da sua presença. E não é uma consolação ilusória: a presença de Jesus não ilude, mas devolve a todos a esperança e a coragem para continuar. O Evangelho diz-nos também que, naquele mesmo dia, terminado o descanso sabático, muitos procuraram Jesus e quiseram aproximar-Se d'Ele: "ao cair da tarde, já depois do sol-posto, trouxeram-Lhe todos os doentes e possessos, e a cidade inteira ficou reunida junto da porta". À porta de uma pequena casa, está uma grande multidão, porque lá dentro está Jesus!

Muitos dos vieram não o teriam podido fazer sozinhos, ou só com grande dificuldade, mas conseguiram vir ao encontro de Jesus, porque foram ajudados pelos amigos e familiares. Muitas vezes há barreiras difíceis de superar nesta caminhada do ser humano ao encontro de Jesus Cristo. Neste caso, tratava-se de doenças graves, limitações físicas ou psíquicas de todo o género, e até possessões diabólicas, mas pode haver muitas outras limitações ou dificuldades. Por vezes são preconceitos, dúvidas, questões não respondidas ou até o mau exemplo de alguns cristãos que impedem ou dificultam esta marcha dos homens para Jesus. Mas estes obstáculos não nos podem paralisar. Não podemos desistir.

S. Paulo sentia a urgência de anunciar Jesus e de encaminhar os homens para Jesus, e dizia: "Ai de mim se não anunciar o Evangelho". Mas não se limitava a dizer, agia, trabalhava, esforçava-se ao máximo, fazia tudo o que podia "para ganhar o maior número possível". Com toda a verdade, S. Paulo podia dizer: "Fiz-me tudo para todos, a fim de ganhar alguns a todo o custo". E nós não podemos deixar de pensar sinceramente se não nos seria possível fazer muito mais pelos outros, para os aproximar de Deus e da Igreja. Há muitas coisas que ainda não fizemos. Por exemplo: nunca fizemos «evangelização de rua». Não estará na altura de a fazer?

E podemos fazer muito mais pelos outros: por aquele amigo que dá a impressão que deixou de vir à Missa ao domingo, por aquele casal que está em dificuldades, por aquela criança que nunca veio à catequese, por este jovem com o espírito cheio de perguntas ou por aquele doente que passa o tempo sozinho... Cada um de nós deveria pensar: que mais posso fazer? Devia fazer mais, muito mais, ou antes, devia fazer tudo, como S. Paulo, "por causa do Evangelho"!

Este anseio de chegar a todos, S. Paulo aprendeu-o certamente, pelo Espírito Santo, com o próprio Jesus, que tem no seu Coração o anseio de chegar a todos e de dar a vida por todos. Quando S.Pedro e os companheiros O encontraram naquela manhã, ainda muito cedo, num local isolado, recolhido em oração, e Lhe pediram para regressar, Jesus respondeu-lhes que era preciso ir mais longe, a outras terras, e chegar a muitas outras pessoas.

Jesus sabe que foi essa a missão que recebeu do Pai, e diz-lhes claramente: "«foi para isso que Eu vim»". E logo "foi por toda a Galileia, pregando nas sinagogas e expulsando os demónios".

A nossa oração não se compara com a de Jesus, que «via» o Pai e contemplava luminosamente nesse diálogo com o Pai toda a grandeza da sua missão, mas é também na oração que aprofundamos o conhecimento do que Deus nos pede, e dela partimos para o nosso trabalho e para o serviço dos outros, com nova força e nova alegria.

Que Deus nos dê também a alegria de juntarmos ao pé de Jesus uma grande multidão, para que cada um experimente intimamente a proximidade de Jesus, e se sinta por Ele curado, liberto e salvo.

Com a amizade em Cristo do
O Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

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