6 de Maio de 2018 - Domingo 6º da Páscoa
É necessário o Baptismo ?
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No Catecismo da Igreja Católica lemos:
O próprio Senhor afirma que o Baptismo é necessário para a salvação (cf. Jo 3, 5.). Por isso, ordenou aos seus discípulos que anunciassem o Evangelho e baptizassem todas as nações (cf. Mt 28, 20.57). O Baptismo é necessário para a salvação de todos aqueles a quem o Evangelho foi anunciado e que tiveram a possibilidade de pedir este sacramento (Mc 16, 16). A Igreja não conhece outro meio senão o Baptismo para garantir a entrada na bem-aventurança eterna. Por isso, tem cuidado em não negligenciar a missão que recebeu do Senhor de fazer «renascer da água e do Espírito» todos os que podem ser baptizados. Deus ligou a salvação ao sacramento do Baptismo; mas Ele próprio não está prisioneiro dos seus sacramentos (1257).
Desde sempre, a Igreja tem a firme convicção de que aqueles que sofrem a morte por causa da fé, sem terem recebido o Baptismo, são baptizados pela sua morte por Cristo e com Cristo. Este Baptismo de sangue, tal como o desejo do Baptismo ou Baptismo de desejo, produz os frutos do Baptismo, apesar de não ser sacramento (1258).
Para os catecúmenos que morrem antes do Baptismo, o seu desejo explícito de o receber, unido ao arrependimento dos seus pecados e à caridade, garante-lhes a salvação, que não puderam receber pelo sacramento (1259).
«Com efeito, já que Cristo morreu por todos e a vocação última de todos os homens é realmente uma só, a saber, a divina, devemos manter que o Espírito Santo a todos dá a possibilidade de se associarem a este mistério pascal, por um modo só de Deus conhecido» (II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes. 22). Todo o homem que, na ignorância do Evangelho de Cristo e da sua Igreja, procura a verdade e faz a vontade de Deus conforme o conhecimento que dela tem, pode salvar-se. Podemos supor que tais pessoas teriam desejado explicitamente o Baptismo se dele tivessem conhecido a necessidade (1260).
Quanto às crianças que morrem sem Baptismo, a Igreja não pode senão confiá-las à misericórdia de Deus, como o faz no rito do respectivo funeral. De facto, a grande misericórdia de Deus, «que quer que todos os homens se salvem» (1 Tm 2, 4), e a ternura de Jesus para com as crianças, que O levou a dizer: «Deixai vir a Mim as criancinhas, não as estorveis» (Mc 10, 14), permitem-nos esperar que haja um caminho de salvação para as crianças que morrem sem Baptismo. Por isso, é mais premente ainda o apelo da Igreja a que não se impeçam as criancinhas de virem a Cristo, pelo dom do santo Baptismo (1261).
A graça do Baptismo
Os diferentes efeitos do Baptismo são significados pelos elementos sensíveis do rito sacramental. A imersão na água evoca os simbolismos da morte e da purificação, mas também da regeneração e da renovação. Os dois efeitos principais são, pois, a purificação dos pecados e o novo nascimento no Espírito Santo (cf. Act 2, 38: Jo 3, 5) (1262).
PARA A REMISSÃO DOS PECADOS
Pelo Baptismo todos os pecados são perdoados: o pecado original e todos os pecados pessoais, bem como todas as penas devidas ao pecado (Cf. Concílio de Florença, Decretum pro Armenis). Com efeito, naqueles que foram regenerados, nada resta que os possa impedir de entrar no Reino de Deus: nem o pecado de Adão, nem o pecado pessoal, nem as consequências do pecado, das quais a mais grave é a separação de Deus (1263).
No baptizado permanecem, no entanto, certas consequências temporais do pecado, como os sofrimentos, a doença, a morte, ou as fragilidades inerentes à vida, como as fraquezas de carácter, etc., assim como uma inclinação para o pecado a que a Tradição chama concupiscêcia ou, metaforicamente, a «isca» ou «aguilhão» do pecado («fomes peccati»):«Deixada para os nossos combates, a concupiscência não pode fazer mal àqueles que, não consentindo nela, resistem corajosamente pela graça de Cristo. Bem pelo contrário, "aquele que tiver combatido segundo as regras será coroado" (2 Tm 2, 5)» (Concílio de Trento, Decretum de peccato originali, can. 5) (1264).
«UMA NOVA CRIATURA»
O Baptismo não somente purifica de todos os pecados, como faz também do neófito «uma nova criatura» (Cf. 2 Cor 5, 17), um filho adoptivo de Deus (Cf. Gl 4, 5-7), tornado «participante da natureza divina» (Cf. 2 Pe 1, 4), membro de Cristo (1 Cor 6, 15; 12, 27) e co-herdeiro com Ele (Rm 8, 17), templo do Espírito Santo (Cf. 1 Cor 6, 19) (1265).
A Santíssima Trindade confere ao baptizado a graça santificante, a graça da justificação, que
– o torna capaz de crer em Deus, esperar n'Ele e O amar, pelas virtudes teologais;
– lhe dá o poder de viver e agir sob a moção do Espírito Santo e pelos dons do Espírito Santo;
– lhe permite crescer no bem, pelas virtudes morais. Assim, todo o organismo da vida sobrenatural do
cristão tem a sua raiz no santo Baptismo (1266).
INCORPORADOS NA IGREJA, CORPO DE CRISTO
O Baptismo faz de nós membros do corpo de Cristo. «Desde então [...], somos nós membros uns dos outros.» (Ef 4, 25). O Baptismo incorpora na Igreja. Das fontes baptismais nasce o único povo de Deus da Nova Aliança, que ultrapassa todos os limites naturais ou humanos das nações, das culturas, das raças e dos sexos: «Por isso é que todos nós fomos baptizados num só Espírito, para formarmos um só corpo» (1 Cor 12, 13) (1267).
Os baptizados tornaram-se «pedras vivas» para «a edificação dum edifício espiritual, para um sacerdócio santo» (1 Pe 2, 5). Pelo Baptismo, participam no sacerdócio de Cristo, na sua missão profética e real, são «raça eleita, sacerdócio de reis, nação santa, povo que Deus tornou seu», para anunciar os louvores d'Aquele que os «chamou das trevas à sua luz admirável» (1 Pe 2, 9). O Baptismo confere a participação no sacerdócio comum dos fiéis (1268).
Feito membro da Igreja, o baptizado já não se pertence a si próprio (cf. 1 Cor 6, 19) mas Aquele que morreu e ressuscitou por nós (cf. 2 Cor 5, 15). A partir daí, é chamado a submeter-se aos outros (Cf. Ef 5, 21: 1 Cor 16, 15-16), a servi-los (cf. Jo 13, 12-15) na comunhão da Igreja, a ser «obediente e dócil» aos chefes da Igreja (cf. Heb 13, 17) e a considerá-los com respeito e afeição (cf. 1 Ts 5, 12-13). Assim como o Baptismo é fonte de responsabilidade e deveres, assim também o baptizado goza de direitos no seio da Igreja: direito a receber os sacramentos, a ser alimentado com a Palavra de Deus e a ser apoiado com outras ajudas espirituais da Igreja (Código de Direito Canónico, can. 208-223) (1269).
Aos caríssimos paroquianos proponho que leiam e estudem este texto, procurando na Sagrada Escritura as citações bíblicas.
Com a amizade em Cristo do
O Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira