13 de Maio de 2018 - Ascensão do Senhor

Fascinante novidade

Quando alguém pensa em Jesus Cristo, só pode ficar fascinado. Jesus, na terra, nos anos que passou entre os homens, tem um modo de falar e de agir totalmente diferente, as multidões ficaram impressionadas, e alguns deixaram tudo para poder ir com Ele, para Lhe entregar a sua vida.

Não há ninguém na história da humanidade como Jesus. Os doentes que Jesus curou, as pessoas a quem perdoou, sentiam que Jesus lhes trazia o amor e a misericórdia de Deus. Jesus une em si, numa única pessoa, o céu e a terra, Deus e o homem. Toda a vida de Jesus, os seus ensinamentos, os seus milagres, e em especial a sua morte na cruz, justificam plenamente o nosso amor, a nossa fé, a nossa adoração.


Giotto, A Ascensão de Cristo, c.1304

Mas toda a grandeza do mistério de Jesus Cristo só se revelou plenamente depois da sua morte. S. Paulo, na 2ª leitura, pedia a Deus que nos ajudasse a ver e a compreender. De facto, precisamos de "um espírito de sabedoria" e de um coração iluminado. Senão, poderemos estar diante da maior de todas as maravilhas, e continuar na mesma, indiferentes... Mas, se tivermos olhos para ver, com a luz da fé, e um coração fascinado, reconheceremos o imenso poder que Deus "exerceu em Cristo, que Ele ressuscitou dos mortos, e colocou à sua direita nos Céus".

Com este olhar fascinado, S. Paulo convida-nos a reconhecer a supremacia absoluta de Jesus Cristo, não só como Deus, mas também como homem, uma vez que, pela divindade, é igual ao Pai. Mas, também como homem, a sua glorificação coloca-o "acima de todo o nome", isto é, acima de todo e qualquer ser, de qualquer natureza que seja, e de qualquer mundo a que pertença. No imenso universo em que vivemos, Jesus Cristo está "acima de todas as coisas". O amor glorificado do seu Coração envolve e abraça todas as coisas, e em especial o coração e a inteligência dos homens, e também a poderosa e fascinante natureza dos anjos.

Mas depois S. Paulo concentra a sua atenção num domínio particular de Cristo, isto é, na sua Igreja, da qual Ele é, não apenas o Senhor, mas a "Cabeça". A Igreja é o "Corpo de Cristo"; ela é o seu complemento ou, como diz S. Paulo, a sua "plenitude": a Igreja é Cristo que se expande e se prolonga nos fiéis que aderem a Ele. Como a Igreja está unida a Jesus pela graça e pelos sacramentos, e de modo especial pela Eucaristia, a Igreja é o Corpo «místico» de Jesus presente na terra.

Este ensinamento leva-nos a estar especialmente agradecidos por termos sido chamados à Igreja, em que Jesus glorificado está presente e exerce de um modo especial a sua supremacia de amor e misericórdia. E leva-nos a amar a Igreja, faz-nos desejar servi-la, e até defendê-la, sempre que for preciso.

Hoje celebramos a definitiva glorificação de Jesus Cristo, a que damos o nome de Ascensão, que é como que o «prémio» definitivo com que Jesus é coroado, após a vitória da sua ressurreição. Nos Actos dos Apóstolos, S. Lucas dizia-nos que, depois das últimas palavras dirigidas aos discípulos, Jesus "elevou-se à vista deles, e uma nuvem escondeu-O a seus olhos".

Por sua vez, o texto de S. Marcos ajuda-nos a que nos fixemos no núcleo do mistério, na «teologia» da Ascensão, uma vez que esta não aparece como uma simples despedida de Jesus, ou como um afastamento dos seus, mas sim como a exaltação do "Senhor Jesus', como a glorificação da sua humanidade, dado que Jesus é posto ao mesmo nível da glória, da majestade e do poder de Deus: «sentou­Se à direita de Deus».

Não é Jesus que deixa os seus, mas é o Pai que o eleva para o Céu; Jesus "foi elevado" pelo Pai para que a sua humanidade participe plenamente na suprema glória da Santíssima Trindade. Além disso, tal como nos Actos, a Ascensão de Jesus aparece intimamente ligada à missão universal dos discípulos. Jesus diz-lhes: "«Ide por todo o mundo, e pregai o Evangelho a toda a criatura»". A partir deste momento, começou a acção da Igreja: "E eles partiram a pregar portoda a parte, e o Senhor cooperava com eles, confirmando a sua palavra com os milagres que a acompanhavam".

Também nós temos de partir, sem receio dos obstáculos ou das dificuldades, anunciando o Evangelho a toda a gente.

Que a nossa vida seja também um sinal da verdade do nosso anúncio. E que o poder de Jesus continue a operar milagres, a provar o seu poder, a manifestar o seu amor, para que se convertam e santifiquem todos os homens e mulheres, chamados a viver também hoje a fascinante novidade do mistério de Cristo.

Com a amizade em Cristo do
O Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

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