25 de Novembro de 2018 - Domingo XXXIV do Tempo Comum

Aceitar Cristo Rei


Duccio di Buoninsegna, Primeiro interrogatório de Pilatos a Jesus (1308-11)

Que é melhor? Ser rico, ou conseguir distinguir o bem do mal? Ser famoso ou conhecer a verdade?

E que é a verdade? Esta foi a pergunta de Pilatos, que, porém, se afastou da presença de Jesus, que lhe podia responder, sem querer ouvir a resposta.

A verdade é ver as coisas como elas são. A mentira deforma a realidade. Um exemplo claro da oposição entre a verdade e a mentira é o julgamento de Jesus, a que o Evangelho de S. João nos convida a assistir. Jesus era inocente, Pilatos sabia-o, e, no entanto, condenou-O. A mentira dos chefes dos Judeus prevaleceu sobre a verdade de Jesus. Foi a condenação mais injusta de sempre, baseada na falsidade e na mentira.

Nem sempre é fácil conhecer a verdade e distinguir a verdade da mentira. Mas não devemos desistir de a conhecer e de reger por ela a nossa vida. Muitas vezes as leis não estão de acordo com a verdade, por exemplo, na lei do aborto. Quando um novo ser começa a existir no corpo da sua mãe, já não é uma célula ou um aglomerado de células. É um novo ser humano, que tem direito de existir, de crescer e de se desenvolver. Neste caso e em tantos outros, não devemos desistir de repor a verdade nas leis.

Jesus diz de Si mesmo: "Para isso nasci e vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade". Jesus deu este testemunho com as suas palavras e toda a sua vida. É a suprema testemunha, o primeiro e perfeito mártir (palavra de origem grega, que significa: testemunha): morreu pela verdade. E continua a dar-nos este testemunho, com o seu Evangelho e a sua doutrina. E também o dá silenciosamente à nossa consciência, se não estiver fechada, se não estiver surda.

Celebramos Jesus Cristo como "Rei e Senhor do Universo". Assim se chama hoje esta festa, e este título leva-nos a glorificar Jesus, Filho de Deus, como criador, com o Pai e o Espírito Santo, de tudo o que existe, da maravilha do cosmos e em especial da vida que existe na Terra e da alma humana.

É um título justo e glorioso, mas o que é mais decisivo é que eu aceite Cristo Rei, que Jesus seja Rei em mim, e que a minha liberdade abrace a verdade que Jesus me revela e me ajuda a conhecer. O que é mais decisivo é também que os governantes não rejeitem a verdade que corresponde à dignidade do homem e ao culto devido a Deus, de que a sua consciência, se forem sinceros, sempre lhes dará testemunho.

O que é mais decisivo é que Jesus seja mais conhecido, amado e obedecido, e com alegria O tomemos como Rei de todos os nossos pensamentos, vontades e decisões. Assim Lhe pedimos e assim nos comprometemos, com verdade e sinceridade.

Com a sincera amizade do
Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

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