20 de Janeiro de 2019 - Domingo II do Tempo Comum

Uma fé que «contagia»

Numa pequena aldeia chamada Caná, houve um casamento. Os noivos convidaram a Mãe de Jesus, e com ela também foi Jesus, acompanhado por um grupo de cinco discípulos, que já O seguiam desde há algum tempo.

Inicialmente, Jesus parece ser ainda pouco conhecido e estar um pouco na sombra. Mas foi nesse casamento que "Jesus deu início aos seus milagres", ou mais exactamente, como diz S. João, aos seus "sinais". S. João chama "sinais" aos milagres de Jesus, não só porque levam a acreditar em Jesus, mas também porque permitem conhecer verdadeiramente quem é Jesus.


Como foi então este primeiro «sinal»? S. João conta que, a pedido de Maria, Jesus converteu a água em vinho, evitando assim um grande embaraço aos noivos - que provavelmente seriam da família de Nossa Senhora - e assim a festa continuou tranquilamente.

Primeiro, Maria expõe a Jesus aquela situação embaraçosa, de que foi a primeira a aperceber-se: «Não têm vinho». Maria não pede nada, mas espera que Jesus faça aquilo que Ele quiser e puder para lhe dar solução. Esta forma de falar, já é rezar. Maria apresenta-se como medianeira entre os esposos e Jesus, e assim o entenderam os cristãos desde o início, invocando-a como medianeira e intercessora, em tantas situações e dificuldades.

Uma oração muito bela, talvez a mais antiga dirigida a Maria, aparece num papiro egípcio do ano 250, escrito em grego. Traduzida em latim, começa com estas palavras: "Sub tuum praesidium confugimus, Sancta Dei Genetrix". Muitas pessoas, tanto no Oriente cristão como no Ocidente, continuam ainda hoje a rezar esta oração, que exprime a consoladora experiência da mediação e intercessão de Maria: À Vossa protecção nos acolhemos; Santa Mãe de Deus:/ Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades:/ mas livrai-nos de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita

Quando Maria apresentou a Jesus o seu pedido, ouviu uma resposta que para nós não é muito fácil de traduzir. A nossa tradução portuguesa diz assim: «Mulher, que temos nós com isso? Ainda não chegou a minha hora... Mas, segundo alguns autores, é possível traduzir de outra maneira: «Mulher, não há nenhum desacordo entre Mim e ti. A minha hora não chegou já?» Ou então: «Que desacordo há entre Mim e ti? De facto, ainda não chegou a minha hora - a hora em que vou ficar sem poder; por isso não há dificuldade para o que me pedes».

Qualquer que tenha sido o sentido das palavras de Jesus, Nossa Senhora não hesitou, não duvidou, não ficou parada, não ficou perplexa, mas reagiu com um acto de fé incondicional, e disse imediatamente aos servidores: «Fazei tudo o que Ele vos disser». Maria revela uma fé obediente que conduz à acção. E a sua fé «contagia» os outros, antes de mais, os servidores, que vão fazer exactamente o que Jesus lhes vai dizer. E é também graças à sua fé que os discípulos vão ter a enorme alegria de presenciarem o primeiro milagre de Jesus, o seu primeiro sinal, que lhes permitiu ver a glória de Jesus, e acreditar n'Ele. Peçamos a Nossa Senhora que nos «contagie» com a sua fé, para fazermos tudo o que Jesus nos disser.

Hoje, Jesus já não converte a água em vinho, mas converte o vinho no seu Sangue, tal como converte o pão no seu Corpo, na Santa Missa.

Esta conversão necessita da colaboração de um especial grupo de "servidores", que são os sacerdotes. Se não houver sacerdotes, não há Eucaristia, o pão não é consagrado, o vinho não é consagrado, e não se renova no altar o Sacrifício de Jesus.

O Povo sacerdotal precisa de sacerdotes "ministeriais", isto é, servidores do seu sacerdócio baptismal, para se poder exercer, para se poder viver. Sem sacerdócio ministerial, não há sacerdócio «comum», ou pelo menos não se consegue exercer.

Portanto, se alguém for chamado para este serviço, seja aos 12 anos, como o Papa Bento XVI, seja aos 14, seja aos 20, seja aos 30, ou mais tarde, siga Jesus, entregue-se a Jesus, faça o que Ele lhe disser.

E assim haverá, e uma vez mais por intercessão de Maria, Nossa Senhora, a alegria da festa, a alegria da comunhão, a alegria da verdadeira caridade.

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