28 de Abril de 2019 - II Domingo da Páscoa

A mensagem da ressurreição de Jesus

No Novo Testamento a mensagem da ressurreição de Jesus é transmitida de duas maneiras. A primeira é um simples anúncio, mas que tem a força de uma profissão de fé. É o que encontramos em S. Paulo, quando diz aos cristãos de Corinto: "Cristo ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras" (1 Coríntios 15, 4).Também no texto do Apocalipse que hoje ouvimos encontramos este anúncio admirável, mas ao mesmo tempo simples, directo, e neste caso posto na boca do próprio Jesus: "«Estive morto, mas eis-Me vivo pelos séculos dos séculos»". Este é o núcleo central da fé cristã: o anúncio de Jesus Cristo ressuscitado, que morreu na cruz, mas agora vive pelos séculos sem fim.


Mas, além deste anuncio, há também o relato do testemunho de alguns dos que viram Jesus ressuscitado. É o caso do Evangelho de hoje e de outros relatos semelhantes que lemos nos Quatro Evangelhos. São narrativas vivas, intensas, emotivas, nem sempre coincidentes entre si em todos os pormenores, o que não retira valor aos textos, mas é um indício de autenticidade, porque os evangelistas não se preocuparam em harmonizar, mas apenas em transmitir e testemunhar uma experiência excepcional.

Estes relatos dão grande importância à experiência vivida por este pequeno núcleo de testemunhas. Mais ninguém ao longo dos tempos poderá viver o que eles viveram. A alegria e a paz que estes homens sentiram foi uma experiência irrepetível. S. João saliente hoje mesmo que "os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor". E mais ninguém, além de S. Tomé, ouviu, ou ouvirá, Jesus dizer: "«Põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente»".

No entanto, também ressalta deste passo de S. João e de todos os outros textos do Novo Testamento, que o encontro na fé com Jesus ressuscitado não é só para alguns privilegiados, mas é oferecido a todos e destina-se a todos! A primeira leitura, dos Actos dos Apóstolos, salientava que "cada vez mais gente aderia ao Senhor pela fé". S. Lucas refere-se muitas vezes a este crescimento constante e progressivo da Igreja. Contudo, vemos também que não esconde as dificuldades que já então existiam, porque, um pouco antes, neste mesmo texto, observa que "nenhum dos outros se atrevia a juntar-se a eles". Quem são estes «outros»? Não sabemos ao certo, mas devem ser aqueles qúe, ontem como hoje, ainda não foram capazes de superar as suas dúvidas ou de encontrar resposta para as suas interrogações. Não é de estranhar que surjam dúvidas: quando não é o nosso espírito a criá-Ias, o mundo, com os seus diversos interesses, encarrega-se de as levantar. Como reagir? A resposta é: não ter medo, e estudar bem os assuntos, com objectividade e serenidade, lendo um bom livro ou pedindo conselho a uma pessoa bem formada.

No entanto, a proposta do Evangelho. que é a proposta do próprio Jesus, leva-nos muito mais longe. Disse há pouco que só S. Tomé ouviu estas palavras de Jesus: "Põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado..." Mas será que Jesus não nos pede exactamente o mesmo a todos nós? Não nos pede também que olhemos para Ele, que O toquemos, que contemplemos as suas chagas, as suas mãos perfuradas, o seu lado trespassado? Não nos pede que nos encontremos com Ele pessoalmente, não apenas com a inteligência mas com o coração, não apenas com o espírito mas com os afectos, não apenas de uma forma teórica ou retórica, mas pondo em jogo todo o nosso ser?

Sim, pede-o claramente, e, quando esta experiência se realiza na fé, acontecem duas coisas. Em primeiro lugar, somos felizes, como diz também Jesus a Tomé no Evangelho de hoje: "«Porque me viste, acreditaste. Felizes os que acreditam sem terem visto»". E depois, somos curados: as dúvidas desaparecem, o medo dissipa-se.

"Aquelas chagas, que inicialmente foram para Tomé um obstáculo para a fé, porque eram sinais do aparente fracasso de Jesus; aquelas mesmas chagas tornaram-se, no encontro com o Ressuscitado, provas de um amor vitorioso. Estas chagas que Cristo assumiu por nosso amor, ajudam-nos a entender quem é Deus e a repetir também: "Meu Senhor, e meu Deus". Somente um Deus que nos ama a ponto de carregar sobre si as nossas feridas e a nossa dor, sobretudo a dor inocente, é digno de fé" (Bento XVI).

Deus é absolutamente digno de fé, mas a opção final é sempre nossa: ficar à distância ou avançar; manter as dúvidas ou entregar-se na fé, hesitar ou «tocar» Jesus. Que fazer? Se alguém ainda duvida, oiça Jesus no Apocalipse: "«Não temas. Eu sou o Primeiro e o Último, o que vive. (...) E tenho a chave da morte e da morada dos mortos»". Haverá mais alguém em todo o Universo capaz de dizer com verdade estas palavras? Unidos Àquele "que vive", também nós viveremos, mesmo tendo um dia que passar pela dor e pela morte, porque Ele fez-Se homem, morreu e ressuscitou, para que, como diz o Evangelho, "acreditando, tenhamos a vida em seu nome".

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