28 de Julho de 2019 - 17º Domingo do Tempo Comum

Rezar à maneira de Jesus

Um dia, impressionados pela oração de Jesus, os discípulos sentiram a necessidade inadiável de Lhe pedir: "«Senhor, ensina-nos a orar, como João Baptista ensinou também os seus discípulos»". E é emocionante verificar que Jesus escutou o seu pedido, e ensinou-os. E também nós, hoje, precisamos de fazer este pedido a Jesus, também nós precisamos constantemente de aprender a rezar.


Jerusalém, Gruta do Pai Nosso

Vivemos num mundo em que quase só contam as aparências, e em que é fácil, quase sem darmos por isso, esquecermo-nos de Deus. Tudo está construído para nos levar a pensar que a vida se realiza e se esgota neste mundo. Aqui, julgam alguns, temos todos os prazeres e todas as alegrias de que necessitamos. Mas não é verdade: no nosso coração há uma sede que nada sacia, a não ser o mistério do Deus vivo, que nos foi manifestado com suprema eloquência no coração de Jesus Cristo.

Também os primeiros cristãos, a quem S. Lucas dirige o seu Evangelho, viviam. num mundo hostil, cheio de falsos deuses, de temores, de superstições. Para estes cristãos, a oração era muito importante, para se sentirem conhecidos, amados, acompanhados; para reconhecerem na sua vida a presença de Deus Pai e de seu Filho, Jesus Cristo; na alegria e na graça do Espírito Santo. Por isso S. Lucas fala tanto da oração, no seu Evangelho, o qual contém um verdadeiro «catecismo» sobre a oração.

Para todos nós a oração é muito importante. É vital. E foi por isso que Jesus nos ensinou a rezar. Os discípulos queriam aprender a rezar ao modo de Jesus, queriam uma oração que os distinguisse de outros grupos, de outras experiências, uma oração que fosse sua... E, em resposta ao pedido dos discípulos, Jesus disse-lhes: "«Quando orardes, dizei: Pai...»" Verificamos facilmente que S. Lucas nos transmite uma versão do «Pai Nosso» apenas com cinco pedidos, um pouco mais breve que a de S. Mateus, que tem sete pedidos (Mateus 6, 9-13). Mas, o que mais se destaca da versão de S. Lucas, é a evidência de que Jesus não nos ensina uma fórmula, que poderíamos repetir mecanicamente: ensina­nos antes de mais um «estilo», um «espírito», que é um «estilo» ou um «espírito» filial de rezar e de viver.

Jesus, pelo seu exemplo e pelas suas palavras, ensina-nos que a oração não é um monólogo: é um diálogo filial. Foi esta dimensão filial da nossa oração que Jesus nos quis ensinar, antes de mais nada, ao ensinar-nos o «Pai Nosso». Quando oramos, não somos pessoas receosas, hesitantes ou cerimoniosas, mas filhos confiantes e cheios de esperança.

E quais são os pedidos, ensinados por Jesus, que S. Lucas salienta? O primeiro é este: "«Santificado seja o vosso nome»". Que no mundo e sobretudo nos nossos corações se apague toda a mancha de pecado, para que sejamos santos, e assim seja reconhecido e anunciado com verdade o amor que Deus nos tem.

A seguir pedimos: "«venha o vosso reino»". Que comece já hoje o mundo novo, em que Deus é amado e adorado, em que os pecadores se arrependem e são perdoados, em que todos são acolhidos e se sentem irmãos no Coração de Jesus.

E depois: "«Dai-nos em cada dia o pão da nossa subsistência»". Aqui, trata-se em primeiro lugar do alimento necessário para a vida, mas não recebido de um modo egoísta ou individualista: é o pão que se partilha em volta da mesa comum em que todos se reconciliam, e sobretudo no banquete precioso da Santíssima Eucaristia, em que o alimento celeste que recebemos é o próprio Jesus, no seu corpo entregue, no seu Sangue derramado.

E a seguir: "«Perdoai-nos os nossos pecados...»" A Igreja, que é santa mas feita de pecadores, reza confiadamente a Deus Pai, para obter o perdão. S. Paulo, na 2ª leitura, dizia-nos que, na morte e ressurreição de Jesus, "Deus perdoou-nos todas as nossas faltas". Hoje, continuamos a pedir que Deus reconcilie consigo e dê o seu perdão a todos os homens. E que os homens não rejeitem este perdão, e saibam viver o tempo desta vida, que é sempre breve, como um tempo de conversão, de Renitência e de crescimento na união com Deus.

E por fim: "«E não nos deixeis cair em tentação»". No Evangelho de S. Lucas, a tentação mais grave é a desistência, a indiferença, o esquecimento de Deus. Por isso, os discípulos pedem ao Pai, cheio de amor, que os defenda infidelidade, do abandono de Jesus e do caminho cristão. E deste modo pedimos também a graça da nossa fidelidade até à morte e em todos os instantes da nossa vida.

Jesus quer que não tenhamos nenhuma dúvida sobre o valor da oração confiada e persistente. Já na 1ª leitura de hoje, vimos como Deus manteve com Abraão um diálogo cheio de atenção e de misericórdia, escutou com bondade a sua oração, foi sensível aos seus pedidos. E embora não tenha sido possível salvar as cidades pecadoras, devido ao total end urecimento de coração dos seus habitantes, salvou-se ao menos um deles, Lot, sobrinho de Abraão, que saiu da cidade antes de esta ter sido destruída (Génesis 19, 12-29).

A oração, feita segundo o coração de Cristo, é sempre escutada por Deus. Nesta convicção sincera, peçamos-Lhe, em conformidade com a promessa de Jesus, o dom supremo, o Espírito Santo, que nos traz a alegria, a fortaleza e a esperança, de que precisamos absolutamente para a nossa vida e para a nossa fidelidade até ao último instante da nossa vida neste mundo.

Com a amizade em Cristo do Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

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