1 de Setembro de 2019 - 22º Domingo do Tempo Comum

Amigos de todos para os tornar amigos de Jesus

O Evangelho de hoje, que nos fala de um banquete em que Jesus esteva presente, leva-nos a dar graças a Deus, por termos sido convidados a tomar parte neste banquete tão especial que é a Santa Missa. Aqui nos é servido o Pão da Palavra de Deus e depois o Corpo Santíssimo e o Sangue Preciosíssimo do nosso Redentor, Jesus Cristo. É uma enorme graça termos recebido este convite, termos querido aceitá-lo, e estarmos hoje aqui presentes, atraídos pela fé, movidos pelo amor, para celebrar a Eucaristia.

Não podemos ser ingratos, temos de avaliar bem o dom que recebemos. Esta é a mensagem principal da 2ª leitura, da Carta aos Hebreus. O autor dizia: É verdade que Moisés e os primeiros Hebreus subiram ao Monte Sinai! É verdade, foi grandioso, foi um tempo inesquecível, como a Sagrada Escritura descreve.


E nós, que somos cristãos? Temos alguma experiência que se compare com esta? Nós não subimos ao Sinai, mas, pela participação no mistério de Cristo, aproximámo-nos da Cidade Santa, a "Jerusalém celeste". A nós acompanham-nos "muitos milhares de Anjos em reunião festiva". E estamos unidos aos santos, que são uma grande "assembleia de primogénitos inscritos no Céu". Mas, acima de tudo, estamos em comunhão com "Deus,juiz do universo", e com "Jesus, mediadorda nova aliança". É esta a graça sublime que recebemos pela fé.

O facto de termos fé em Deus devia, realmente, encher-nos de gratidão. Há pessoas que têm de Deus uma noção muito imperfeita. Alguns falam de uma "energia cósmica" impessoal (como refere S. JOÃO PAULO II, Mensagem para a Jornada Mundial da Juventude, Colónia, 2005). Mas Deus não é uma "energia", Deus é um mistério de amor e comunhão em três Pessoas. Deus é um oceano infinito de inteligência e de vida, que nos criou por amor.

Há pessoas que não acreditam em Deus, outras têm uma ideia estranha ou errada de Deus, mas nós, sem nenhum mérito da nossa parte, temos conhecimento do mistério de Deus, tal como nos foi revelado por Jesus Cristo. Se temos consciência disso, temos de ser muito agradecidos e ao mesmo tempo muito humildes, como nos pede também Jesus no Evangelho.

Aqui está outro ensinamento muito importante das leituras de hoje. Precisamos de cultivar uma humildade sincera, uma humildade simples, natural... Já a primeira leitura, do livro do Eclesiástico (ou Ben Sirá), dizia: "Quanto mais importante fores, mais deves humilhar-te, e encontrarás graça diante do Senhor".

E Jesus, no Evangelho, ensina-nos: "«Quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado»". Esta é a conclusão clara da parábola do banquete.

Como é que a humildade eleva, e a soberba faz descer? Não há aqui uma contradição? Não, não há, porque a verdadeira humildade eleva-nos até Deus, torna-nos filialmente submissos a Deus, e, como escreveu Santo Agostinho, não há nada nem ninguém acima de Deus (A Cidade de Deus, I. XIV, XIII). As asas da humildade elevam-nos muito alto, ou antes, é Deus que, pela humildade, nos eleva muito alto, até à contemplação da sua glória.

Pelo contrário, a soberba rejeita essa submissão, e por isso a pessoa fica cá por baixo, não passa daqui, e mesmo que tenha pensado que subiu muito, afinal ficou sempre ao nível desta terra, e portanto sempre muito abaixo daquele nível a que a natureza humana, tal como Deus a criou, a chamava a subir.

Somos feitos para Deus e, se não subirmos até Deus, frustramos a nossa condição, não realizamos a nossa vocação. Mas só se consegue subir com humildade, submetendo-nos a Deus, e aceitando ser ajudados de muitos modos, para nos aperfeiçoarmos e santificarmos.

Mas o Evangelho acrescenta ainda um desafio que não podemos passar em claro. Jesus diz-nos que temos que saber acolher "os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos". Acredito que esta lista não é exaustiva, e pode incluir ainda muitas outras pessoas.

E nós, a quem acolhemos? Com quem partilhamos o pão quotidiano? A quem convidamos a partilhar o pão da Eucaristia? Temos de ser amigos de todos. Também dos que parecem muito diferentes de nós, para que um dia possam experimentar como nós a alegria da mesma fé e da mesma comunhão, neste banquete sagrado da terra e no banquete eterno do Céu.

Com a amizade em Cristo do Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

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