13 de Outubro de 2019 - 28º Domingo do Tempo Comum

Vir e voltar

O Evangelho conta-nos que, um dia, dez leprosos, vencendo todas as barreiras, vieram ao encontro de Jesus. Pela sua condição de pessoas excluídas, ficaram à distância, não ousaram aproximar-se para além de um certo limite, mas o grito da sua fé foi muito forte, e "disseram em alta voz: - Jesus, Mestre, tem compaixão de nós". Então, "ao vê-los, Jesus disse-lhes: «ide mostrar-vos aos sacerdotes». Era o que estava prescrito na lei, para poderem ser reintegrados no convívio social. E eles, com grande confiança em Jesus, e mesmo sem notarem imediatamente nenhum mudança no seu corpo, foram, como Jesus lhes mandou. Tiveram fé, confiaram, obedeceram. "E sucedeu que no caminho ficaram limpos da lepra".


 

Todos nós precisamos de vir ao encontro de Jesus.Vimos como somos, mas, quando nos encontramos com Jesus, somos curados, somos perdoados, somos purificados, e a nossa vida recomeça com uma nova esperança.

É preciso vir ao encontro de Jesus. Ninguém nos acolhe como Jesus. Os dez leprosos, quando se encontraram com Jesus, viram-No e conheceram-No ainda como um homem mortal, mas isso não os impediu de acreditar que Ele era o Messias, e que o seu coração era o lugar onde podiam experimentar, como em nenhum outro, a compaixão de Deus.

Mas nós, hoje, encontramo-nos com Jesus já depois da sua passagem pela morte e da sua gloriosa ressurreição. Jesus está vivo junto do Pai, abraça o mundo inteiro, e está na sua Igreja, está nos sacramentos da fé, sempre próximo, sempre à nossa disposição. S. Paulo, na 2ª leitura, dizia a Timóteo: "lembra-te de que Jesus Cristo, descendente de David, ressuscitou dos mortos segundo o meu Evangelho". A sua ressurreição torna-O próximo de cada um de nós, e também de cada homem e mulher, ao longo dos tempos. Todos podemos vir ao seu encontro, em cada momento da vida, e pedir-lhe que nos ajude, que nos cure, que nos salve.

É preciso vir ao encontro de Jesus, como os dez leprosos, mas não basta vir, como o Evangelho de hoje nos ensina, também é necessário voltar, como aquele único leproso, que "ao ver-se curado, voltou atrás, glorificando a Deus em alta voz, e prostrou­se de rosto por terra aos pés de Jesus, para lhe agradecer. Era um samaritano". Aquele de quem talvez menos se esperasse esse gesto, foi esse que voltou, "para dar glória a Deus". E Jesus foi sensível à gratidão deste samaritano e ficou impressionado pela sinceridade da sua fé. Como poderemos nós próprios voltar "para dar glória a Deus"? Antes de mais, pela nossa oração pessoal, diária e constante. Pela oração, voltamos à lembrança das maravilhas de Deus, recordamos o que Jesus já fez por nós, e pedimos que o seu poder cheio de misericórdia se exerça sempre em nosso favor e em favor de todos.

Mas há ainda outros modos de voltar "para dar glória a Deus", em particular a adoração de Jesus presente na Eucaristia, no sacrário, sempre acolhedor, sempre disponível, sempre à nossa espera. Voltem todos os dias, ou pelo menos alguns dias por semana, para esse encontro com Jesus Cristo, presente no Santíssimo Sacramento dizendo-lhe: "Jesus, a quem contemplo oculto agora, / Dá-me o que eu desejo ansiosamente: Ver-Te face a face, na Tua glória, /E na glória contemplar-Te eternamente".

Com a amizade em Cristo do Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

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