20 de Outubro de 2019 - 29º Domingo do Tempo Comum

Como é a minha oração?

A primeira leitura de hoje é do livro do Exodo que é um dos livros mais importantes de toda a Bíblia. É o segundo dos cinco livros da lei, a Torah, segundo a designação hebraica. A palavra «êxodo» significa «partida», numa referência à partida de Israel do Egipto, depois de muitos anos de escravidão.

Depois da saída do Egipto, houve a passagem do Mar Vermelho. E o tempo entre a passagem do Mar Vermelho e a chegada ao Monte Sinai, foi de três meses. A certa altura, o povo começou a protestar e a queixar-se devido à sede que os afligia. Então Deus ordenou a Moisés que batesse numa rocha com a sua vara, e da rocha jorrou água, que todo o povo pôde beber.


Aarão e Hur sustentam as mãos de Moisés em oração

E logo depois aconteceu o episódio de hoje. Os israelitas recomeçaram a sua caminhada, mas foram atacados pelos guerreiros de Amalec, que controlavam as rotas de caravanas entre o Egipto e a Arábia. Então Moisés mandou Josué responder ao ataque, com alguns homens do povo, mas ele próprio não quis entrar no confronto: "Escolhe alguns homens e amanhã sai a combater Amalec. Eu irei colocar-me no cimo da colina com a vara de Deus na mão".

Josué poderia ter ficado assustado, e dizer: «Então mandas-me combater, e tu não combates, porquê?» Podíamos pensar que seria mais útil que Moisés também combatesse, e até que ele próprio dirigisse o combate. Mas Josué teve fé, confiou em Moisés, não discutiu a sua ordem, e fez bem. Moisés tinha outra missão ainda mais importante a desempenhar. Acompanhado por dois homens, um dos quais Aarão, seu irmão, subiu à colina, e levantou as mãos em oração pelo povo (como fazem os sacerdotes na oração litúrgica). E enquanto Moisés mantinha as mãos levantadas, Israel levava a melhor.

Moisés actua aqui como mediador do povo, e podemos ver nele uma imagem de Cristo mediador entre Deus e os homens. Mas Moisés era um simples homem, e, devido ao cansaço, nem sempre conseguia manter as mãos levantadas. E, nessa altura, quando deixava cair as mãos, Amalec dominava o combate. Quem iria vencer?

Os colaboradores de Moisés encontraram uma solução: "trouxeram uma pedra e colocaram-na por debaixo para que ele se sentasse, enquanto Aarão e Hur, um de cada lado, lhe seguravam as mãos".

Nesta ajuda podemos ver a responsabilidade de todos os cristãos em apoiar ou amparar o Papa, os bispos e os sacerdotes, para que possam sempre realizar a sua missão, a favor da Igreja e de toda a humanidade.

E foi assim, com esta ajuda, que as mãos de Moisés "se mantiveram firmes até ao pôr-do-sol", e Josué obteve uma grande vitória sobre Amalec e o seu povo. E Israel pôde continuar com segurança o seu caminho até ao Monte Sinai.

Este episódio ensina-nos também que não podemos deixar que as nossas mãos fiquem pesadas, ou seja, que o nosso espírito adormeça devido ao trabalho, à falta de tempo, ao cansaço ou às muitas preocupações da vida, e deixemos de rezar!

Cada cristão precisa de ter os seus momentos diários de oração e meditação, e cada um terá de ver quando e onde pode fazer tranquilamente estes tempos de oração. À luz do Evangelho de hoje, devemos perguntar: como é a minha oração?

É confiante, persistente, insistente, cheia de esperança? O ensinamento da parábola que Jesus contou é muito claro: se o pedido insistente de uma pobre viúva alcançou aquilo que desejava, quanto não alcançará a oração insistente dos cristãos? E se um juiz injusto cedeu à súplica de uma viúva, quanto mais não fará um Deus misericordioso? Mas às vezes não o vemos logo, o tempo passa e continuamos a esperar. E há o perigo de perder a esperança, e até de deixar morrer a fé. Por isso Jesus pergunta: "Mas quando voltar o Filho do homem encontrará fé sobre a Terra?"

Mesmo que a vinda de Jesus no final dos tempos demore muito, a Igreja nunca se afastará da verdadeira fé. Mas nem todos, infelizmente, permanecerão fiéis. Alguns voltarão as costas à fé. Mas é também por isso que temos de permanecer vigilantes, e perseverar na fé e na oração.

E se Jesus demorar, ou nos continuar a querer neste mundo, como esperamos, não perderemos tempo. Teremos muitas oportunidades, como diz S. Paulo, de proclamar a palavra, e insistir "a propósito e fora de propósito". No Dia Mundial das Missões que hoje se celebra, pensemos na imensa quantidade de pessoas a quem podemos levar a Palavra, e com quem podemos insistir, argumentar e exortar, como diz S. Paulo, "com toda a paciência e doutrina". Nem todo o tempo do mundo talvez seja suficiente para esta tarefa, e por isso temos de começar já, apoiados na oração, isto é, na força e no poder de Deus.

Com a amizade em Cristo do Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

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