10 de Novembro de 2019 - 32º Domingo do Tempo Comum
Um desejo de plena fidelidade
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"Estamos prontos para morrer". Os sete jovens - sete irmãos - que falaram assim, apoiados pela sua própria mãe eram Judeus fiéis que viviam no Egipto, no séc. II a. C., e foram tentados a desobedecer frontalmente a uma lei do seu povo. Nem sequer era uma lei divina, era apenas uma lei humana. Até podiam ter cedido, porque as leis «positivas» não obrigam, quando há um grave incómodo. Mas não puseram a hipótese de desobedecer, e disseram: "Estamos prontos para morrer, antes que violar a lei dos nossos pais". E os sete foram mortos com grande violência e crueldade, como nos descreve o capítulo VII do 2º Livro dos Macabeus. |
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Mas será que não poderiam mesmo ter cedido àquela ordem que lhes foi dada? Que importância é que tinha comerem ou não carne de porco? Objectivamente, isso tinha pouca importância, mas o que estava em jogo era uma lei muito superior, era o dever de não renegar a fé. E para não renegar a fé, temos que estar dispostos a ir até onde for preciso, até mesmo ao sacrifício da própria vida.
Neste caso concreto, a imposição do rei egípcio visava a destruição da religião verdadeira. Os sete irmãos não podiam ceder de maneira nenhuma. Antes morrer, do que atraiçoar a fé. Foi esta a sua decisão, e tomaram-na com perfeita consciência e lucidez. Mas vemos que nesta decisão, embora lhes traga um grande sofrimento, não há nenhum desespero, porque no seu coração havia uma enorme esperança: "«Vale a pena morrermos às mãos dos homens, quando temos a esperança em Deus de que ele nos ressuscitará. Mas tu, ó rei, não ressuscitarás para a vida»".
Estes sete jovens e a sua mãe acreditam profundamente no poder de Deus, que não permite que o nosso «eu» se extinga e mergulhe no nada. A fé diz-nos que aquele que morre na amizade de Deus é chamado, depois da necessária purificação, a estar com Deus, a contemplar a sua glória. E um dia - no "último dia" (João 6, 39-40) "Deus, na sua omnipotência, restituirá definitivamente a vida incorruptível aos nossos corpos, unindo-os às nossas almas pela virtude da ressurreição de Jesus" (Catecismo da Igreja Católica, n. 997).
É esta a nossa profunda esperança, é esta a fé segura e firme dos que crêem em Jesus ressuscitado. E, por seu amor, procuramos também não ceder, mesmo em coisas que parece que não têm importância nenhuma, ou que muita gente acha normal.
Quando um empresário recusa um negócio ilícito ou desonesto, fá-lo antes de mais por respeito para com a Lei de Deus e por amor à verdade, à qual a sua consciência deve obediência. Quando os namorados ou noivos cristãos assumem conscientemente o compromisso de viver a castidade, é porque esperam com grande delicadeza e respeito esse dia em que se vão receber um ao outro das mãos de Deus. E quando participamos na Missa ao domingo, o que está em jogo é tão importante como isto: celebrar ou não a ressurreição de Jesus, e com ela o sentido desta vida e a esperança da vida eterna!
Com os sete irmãos e sua mãe, renovamos hoje o nosso desejo de plena fidelidade aos nossos compromissos cristãos. Mas o fundamento da nossa fidelidade não é apenas a nossa boa vontade, é a própria fidelidade de Deus. Como nos ensina Jesus no Evangelho, o Deus em quem acreditamos "não é um Deus de mortos, mas de vivos". Jesus refere-Se expressamente aos nomes de Abraão, Isaac e Jacob, para ensinar que, embora estes Patriarcas tenham morrido, permanece uma relação pessoal entre Deus e eles, pois vivem em Deus. Podemos concluir com verdade que as suas almas são imortais, e que eles hão-de ressuscitar com o seu corpo.
Que Deus nos ajude a viver não como quem está resignado a que um dia tudo acabe, mas como quem espera viver, depois da morte, a vida eterna, que já antecipamos nesta vida pelo nosso amor a Deus e pelo nosso desejo de viver com todos a caridade de Jesus Cristo.
Com a amizade em Cristo do Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira