17 de Novembro de 2019 - 33º Domingo do Tempo Comum

Um Bispo que foi lançada às feras

Como ilustração do Evangelho, vamos ter presente Santo Inácio de Antioquia, Bispo e mártir, que o calendário celebra a 17 de Outubro. Seguiremos a catequese que Bento XVI dedicou a este grande santo:


«Hoje falamos de Santo Inácio, que foi o terceiro Bispo de Antioquia, entre os anos 70 e 107, data do seu martírio.

Naquele tempo Roma, Alexandria e Antioquia eram as três grandes metrópoles do império romano. O Concílio de Niceia fala de três "primados": o de Roma, mas também Alexandria e Antioquia participam, num certo sentido, a um "primado". Santo Inácio era Bispo de Antioquia, que hoje se encontro no Turquia. Aqui, em Antioquia, como sabemos dos Actos dos Apóstolos, surgiu uma comunidade cristã florescente: primeiro Bispo foi o apóstolo Pedro assim nos diz o tradição e ali "pela primeira vez, os discípulos começaram a. ser tratados pelo nome de "cristãos"" (Act. 11, 26). Eusébio de Cesareia, um historiador do IV século, dedica um capítulo inteiro da suo História Eclesióstico à vida e à obra literória de Inácio (3, 36). "Da Síria", ele escreve, "Inácio foi enviado a Roma para ser lançado às feras, por causa do testemunho por ele dado a Cristo. Realizando a sua viagem através da Ásia, sob a vigilância severa dos guardas" (que ele chamava "dez leopardos" na sua Carta aos Romanos 5, 1), "nas vórias cidades por onde passava, com pregações e admoestações, ia consolidando as Igrejas; sobretudo exortava, muito fervorosamente, a evitar as heresias, que na época começavam a pulular, e recomendava que não se separassem da tradição apostólica". A primeira etapa da viagem de Inácio rumo ao martírio foi a cidade de Esmirna, onde era Bispo São Policarpo, discípulo de São João. Ali Inácio escreveu quatro cartas, respectivamente às Igrejas de Éfeso, de Magnésia, de Trales e de Roma. "Tendo partido de Esmirna", prossegue Eusébio, "Inácio chega a Tróade, e de lá enviou novas cartas": duas às Igrejas de Filadélfia e de Esmirna, e uma ao Bispo Policarpo. Eusébio completa assim o elenco das cartas, que chegaram até nós da Igreja do primeiro século como um precioso tesouro. lendo estes textos sente-se o vigor da fé da geração que ainda tinha conhecido os Apóstolos. Sente-se também nestas cartas o amor fervoroso de um santo. Finalmente de Tróade o mártir chegou o Roma, onde, no Coliseu ou Anfiteatro Flóvio, foi lançado às feras.

Nenhum padre da Igreja expressou com a intensidade de Inácio o anseio pela união com Cristo e pela vida n'Ele. Na realidade, afluem em Inácio duas "correntes" espirituais: a de Paulo, que tende totalmente para a união com Cristo, e a de João, concentrada na vida n'Ele. Por sua vez, estas duas correntes desembocam na imitação de Cristo, várias vezes proclamado por Inácio como "o meu" e "o nosso Deus". Assim Inácio suplica os cristãos de Roma para que não impeçam o seu martírio, porque está impaciente por "unir-se a Jesus Cristo". E explica: "É bom para mim morrer indo para (eis) Jesus Cristo, em vez de reinar até aos confins da terra. Procuro Aquele que morreu por mim, quero Aquele que ressuscitou por nós... Deixai que eu seja imitador da Paixão do meu Deus!" (Aos Romanos 5-6). Pode-se captar nestas expressões fervorosas de amor o elevado "realismo" cristológico típico da Igreja de Antioquia, como nunca atento à encarnação do Filho de Deus e à sua humanidade verdadeira e concreta: Jesus Cristo, escreve Inácio aos Esmirnenses, "pertence realmente à estirpe de David", realmente nasceu de uma virgem", "realmente foi crucificado por nós" (l, 1)» (Audiência geral de 14 de Março de 2007)

Na mesma carta de Santo Inácio de Antioquia aos Romanos há uma preciosa afirmação sobre a presença de Cristo na Eucaristia: "Não me satisfazem os alimentos corruptíveis nem os prazeres deste mundo. Quero o pão de Deus, que é a Carne de Jesus Cristo, nascido da linhagem de David, e por bebida quero o seu Sangue que é a caridade incorruptível". E continua:

"Já não quero viver mais segundo os homens; e isto acontecerá, se vós quiserdes. Peço vos que o queirais, para que também vós alcanceis benevolência. Peço vos em poucas palavras: acreditai-me. Jesus Cristo vos fará compreender que digo a verdade. Ele é a boca da verdade, no qual o Pai falou verdadeiramente. Pedi por mim para que o consiga. Não vos escrevi segundo a carne, mas segundo o espírito de Deus. Se padecer o martírio, ter me eis amado; se me rejeitarem, ter me eis querido mal".

Com a amizade em Cristo do Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

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