24 de Novembro de 2019 - Cristo Rei, Senhor do Universo

Coroado de glória e de honra

"«Senhor, lembra-Te de mim, quando vieres na tua realeza!»" Estas palavras do «bom ladrão» serão repetidas até ao fim dos tempos, sempre que se proclamar o Evangelho da Paixão de Jesus. São palavras de esperança, quando parecia que já nada havia a esperar. São palavras de uma enorme fé e confiança, quando se podia julgar que tudo estava irremediavelmente acabado, diante da morte, diante da derrota total.


Este homem não se enganou. Tinha razão em confiar em Jesus, contra toda as aparências, contra todas as evidências. Falou a Jesus como se fala a um Rei, e tinha razão. Embora todos o pensassem, Jesus não tinha sido derrotado.

A sua morte na cruz era a expressão máxima do seu amor e da sua misericórdia pelos homens, e ao mesmo tempo o sinal supremo da sua fidelidade e da sua obediência ao Pai. Quem ama como Jesus amou, não é um derrotado. E a ressurreição de Jesus, ao terceiro dia, vem exprimir esta vitória e, pela glorificação do seu corpo, unido á sua alma e à sua divindade, vem manifestar a plena glória de Jesus, que já é vencedor da morte, mesmo quando a morte parece vencê-Lo. "Jesus, lembra-Te de mim, quando vieres na tua realeza". Que oração extraordinária! E ainda mais extraordinária é a resposta do Senhor: "«Em verdade te digo: Hoje estarás comigo no Paraíso»". Jesus, pregado na Cruz, é o Senhor do tempo e da eternidade, da vida e da morte, do passado, do presente e do futuro. E a fé cristã reconhece, como escreveu S. Paulo, que "aprouve a Deus que n'Ele residisse toda a plenitude, e por Ele fossem reconciliadas consigo todas as coisas". Diante de Jesus não há fracassos irremediáveis. O único fracasso é não acolher a misericórdia de Deus, oferecida em Jesus Cristo crucificado. O único verdadeiro fracasso é rejeitar o seu amor, que perdoa e dá a vida.

Hoje celebramos a realeza de Jesus, o que implica, entre outras coisas, que queremos confiar n'Ele, mesmo que as aparências nos digam o contrário, mesmo que tudo em nós e à nossa volta nos queira afastar d'Ele. Celebramos Jesus como Rei, então pregado numa Cruz, e depois, e para sempre, coroado pela ressurreição e glorificado à direita do Pai. É assim que vemos hoje Jesus: «coroado de glória e de honra, por causa da morte que sofreu» (Hebreus 2, 9).

Tomá-lo como nosso Rei significa que queremos pensar, sentir e vive segundo os seus critérios: aceitar como bem o que Ele nos diz que é bem, rejeitar e não admitir o que sabemos que O pode entristecer ou ofender.

Celebrar Jesus Cristo como Rei e Senhor do Universo é pôr-se inteiramente e com toda a liberdade na dependência do Senhor, para irmos por onde Ele nos indicar, para seguirmos por onde Ele nos mandar, e acima de tudo para dar a vida por amor, como fez Jesus. É este o critério decisivo da vida de um homem cristão, de uma mulher cristã: identificar a nossa vontade com a vontade de Jesus, Rei e Senhor dos nossos corações, e entregar-nos, como Ele Se entregou.

Celebrar Jesus Cristo como Rei, significa também amar e servir a Igreja, que é o seu Corpo, como ouvimos na 2ª Leitura. É na Igreja que se experimenta o poder de Cristo, a força da sua morte na Cruz, a vitória da Ressurreição. É na Igreja que nascemos para a fé, e é como Igreja que O anunciamos aos outros. A fidelidade à realeza de Cristo leva­nos a amar intensamente a Igreja e a desejar que ela cumpra cada vez mais fielmente a sua missão no mundo.

O anúncio de Jesus Cristo, sentido da vida, vencedor da morte e Senhor do universo, necessita de uma Igreja forte, santa, dinâmica, viva, unida. Essa Igreja, temos de ser nós. Aqui onde estamos, nesta cidade de Lisboa, nesta paróquia de Santa Maria de Belém, ou em qualquer parte do mundo. É preciso construir e fortalecer a Igreja, para que nela todos os homens e mulheres possam experimentar a misericórdia de Deus, revelada em Jesus crucificado. E que cada um de nós assuma o seu lugar e a sua missão na Igreja, para sermos capazes de anunciar com verdade a força da morte de Cristo e a vitória da sua ressurreição.

Com a amizade em Cristo do Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

Blog  Ad te levavi
Arquivo