15 de Dezembro de 2019 - 3º Domingo do Advento

A Boa Nova anunciada aos pobres

1. A mensagem principal do 3° Domingo do Advento encontra-se antes de mais no Intróito da Missa e depois no Evangelho. A antífona do Intróito é uma passagem da Carta aos Filipenses, que se adapta muito bem a este Domingo do Advento, já muito perto do Natal. O que S. Paulo escreveu aos Filipenses é especialmente para nós, hoje: "Alegrai-vos sempre no Senhor. Novamente vos digo: alegrai-vos!" (Filipenses 4,4)


Em latim, "Alegrai-vos" diz-se: "Gaudete", e é assim que se chama e~te Domingo: o Domingo Gaudete. Em grego, diz-se «Chairete». É a mesma palavra que o Anjo usou na saudação à Virgem de Nazaré: «Chaire», que nós traduzimos por «Avé», mas que sigifica literalmente: «Alegra-te». E S. Paulo diz: «Alegrai-vos». Mais do que um imperativo, é um desejo, como se S. Paulo nos desejasse graça, felicidade e alegria.

O texto todo de S. Paulo diz:

"Alegrai-vos sempre no Senhor. Novamente vos digo: alegrai-vos. Seja de todos conhecida a vossa bondade. O Senhor está próximo. Não vos inquieteis com coisa alguma; mas em todas as circunstâncias, apresentai os vossos pedidos diante de Deus, com orações, súplicas e acções de graças. E a paz de Deus, que está acima de toda a inteligência, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus".

Na liturgia tradicional, lê-se sempre este texto na 1ª leitura da Missa do 3° Domingo do Advento. No leccionário em uso, dividido em três anos (A-B-C), só é lido no ano C. Mas pelo menos a mensagem está no Intróito (ou Cântico de entrada) da Missa: "Gaudete in Domino semper", "Alegrai-vos sempre no Senhor".

2. E eu, alegro-me no Senhor? Alegro-me em Jesus? Muitos não se alegram. Só se alegram nas prendas, só se alegram nas festas de Natal, e é bom haver festas, mas, se não houver alegria no Senhor, que pouco são!

Por que é que muitos não se alegram "no Senhor"? Principalmente por esta razão: porque não O conhecem. No 3º Domingo do Advento lia-se também tradicionalmente um passo de S. João, que agora se lê apenas no Ano B, no qual S. João Baptista responde aos que o interrogam, dizendo: "Eu baptizo com água, mas no meio de vós está Alguém que vós não conheceis" (João 1,26).

Jesus estava com eles, mas não O conheciam. Aqueles que O não conhecem, como é que se podem alegrar "no Senhor"? Por isso, a nossa primeira tarefa, como católicos, deverá ser dar a conhecer Jesus, o Senhor. Porque temos sincero amor pelos nossos semelhantes, desejamos que todos tenham uma vida digna, mas sobretudo desejamos que conheçam Jesus.

3. É preciso transmitir a todos verdade sobre Jesus Cristo, desde o seu nascimento à ressurreição - para que tenham alegria, para que se possam alegrar "no Senhor", mesmo quando tiverem sofrimentos, mesmo quando estiverem doentes, mesmo quando estiverem desempregados, mesmo quando se sentirem pecadores, porque poderão sempre encontrar n'Ele a força, a ajuda, o perdão e o amor, de que precisam acima de tudo.

É n'Ele e por ele que "a Boa Nova é anunciada aos pobres" (Mateus 11, 5). Por isso, vontade de Deus que todos os homens conheçam Jesus Cristo. O Papa Francisco, citando João Paulo II, escreveu na Exortação apostólica Evangelii gaudium ("A alegria do Evangelho"), que «não pode haver verdadeira evangelização sem o anúncio explícito de Jesus como Senhor» (n. 110).

Esta tarefa foi a que realizaram os Apóstolos e os missionários de todos os tempos.

Nunca foi fácil, e hoje talvez ainda o seja menos, porque no espírito de muita gente há dúvidas e preconceitos. Mas estes obstáculos podem ser vencidos pela graça de Deus, que toca os corações e nos ajuda no nosso apostolado.

Possa Jesus neste próximo Natal, por intercessão de Maria, Nossa Senhora, ser conhecido ou reconhecido por muitas pessoas que ainda O não conhecem ou se esqueceram d'Ele, e que lhes dará o mais precioso de todos os presentes de Natal que poderiam receber: a sua paz e o seu perdão, e com eles o amor e a alegria.

Com a amizade em Cristo do Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

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