19 de Janeiro de 2020 - Domingo II do Tempo Comum

Creio em Jesus Cristo, Seu único Filho, Nosso Senhor

Do Comentário de S. Tomás de Aquino ao Credo:

Não é somente necessário crerem os cristãos que existe um só Deus, e que Ele é Criador do céu, da terra e de todas as coisas, mas também é necessário crerem que Deus é Pai e que Jesus Cristo é seu verdadeiro Filho. Esse mistério não é um mito, mas uma verdade certa e comprovada pela palavra de Deus no Monte Tabor, conforme a afirmação de S. Pedro: "Porque não foi baseando-nos em fábulas engenhosas que vos demos a conhecer o poder e a presença de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas por termos visto a Sua Majestade com os nossos próprios olhos. Porque Ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da magnífica glória lhe foram dirigidas estas palavras: 'Este é meu Filho muito amado, em quem pus as minhas complacências'. E nós mesmos ouvimos esta voz vinda do céu, quando estávamos com Ele no monte santo" (2 Pedro 1, 16-18).


El Greco, Cristo Salvador (c. 1600), Museu da Escócia

O próprio Jesus Cristo muitas vezes chama a Deus seu Pai, e também, Se denominava Filho de Deus.

Os Apóstolos e os Santos Padres colocaram entre os artigos de fé que Jesus Cristo é Filho de Deus, quando definiram este artigo do Credo: "E em Jesus Cristo seu Filho", isto é, Filho de Deus.

Mas existiram alguns heréticos que desvirtuaram de um modo perverso nessa verdade de fé. Fotino, um deles, declarou que Cristo não é filho de Deus senão como os outros homens bons o são, os quais, por viverem bem, merecem ser chamados filhos de Deus por adopção, enquanto fazem a vontade de Deus. Do mesmo modo, dizem eles, Cristo, que viveu bem e fez a vontade de Deus, mereceu ser chamado de Filho de Deus. O mesmo herético pretendia que Cristo não tinha existido antes da Virgem Maria, mas que só começou a existir quando nela foi concebido.

Cometeu Fotino dois erros: um, porque não disse que Ele era Filho de Deus segundo a natureza; o outro, porque disse que Ele começou a existir, conforme todo o seu ser, no tempo, enquanto a nossa fé afirma que Ele é por natureza Filho de Deus e eterno. Ora, essa duas verdades encontram-se claramente expressas na Sagrada Escritura, opostas que são ao que ele afirma.

Contra o primeiro erro, declara a Escritura que Jesus Cristo não só é Filho de Deus, mas também Filho Unigénito: "O Unigénito que está no seio do Pai é que O fez conhecido" (João 1, 18). Contra o segundo, lê-se: "Antes de Abraão existir, eu já existia" (João 8, 58). Ora, é certo que Abraão existiu antes da Virgem Maria. Por esse motivo, os Santos Padres acrescentaram, em outro símbol02, contra o primeiro erro: "Filho de Deus Unigénito"; e, contra o segundo: "nascido do Pai antes de todos os séculos".

Sabélio, embora tivesse dito que Cristo existiu antes da Virgem Maria, afirmou que a Pessoa do Pai outra não era que a do Filho, e que o próprio Pai encarnou. Desse modo, a Pessoa do Pai seria a mesma que a do Filho. Mas isso é um erro, porque destrói a trindade das Pessoas. Contra esse erro, há a autoridade do Evangelista S. João, que nos relatou as palavras do próprio Cristo: "Eu não sou Eu só; sou Eu e o Pai que me enviou" (João 8, 1-6).

Ora, é evidente que ninguém pode ser enviado por si mesmo. Eis porque Sabélio errou.

Acrescentou-se por isso, no Credo: "Deus de Deus, luz de luz"; isto é, Deus Filho de Deus Pai; Filho que é luz, luz que procede do Pai, que também é luz. É nessas verdades que devemos crer.

Ário, embora tivesse afirmado que Cristo existira antes da Virgem Maria e que era uma a Pessoa do Pai, outra, a do Filho, atribuiu, ao ser de Cristo, três erros: primeiro, que Cristo foi criatura; segundo, que Ele foi feito por Deus como a mais nobre das criaturas, não desde a eternidade, mas no tempo; terceiro, que não havia uma só natureza de Deus Filho com Deus Pai, e, por esse motivo, Cristo era verdadeiro Deus.

Tais afirmações são evidentemente erróneas porque contrárias à autoridade da Sagrada Escritura. Lê-se no Evangelho de S. João: "Eu e o Pai somos um" (João 10, 30), isto é, pela natureza. Ora, como o Pai sempre existiu, do mesmo modo o Filho; como o Pai é verdadeiro Deus, assim também o Filho. Em oposição à afirmação de Ário, isto é, que Cristo é criatura, está declarado no Credo: "gerado, não criado" .

Contra o erro propalado de que Ele não era da mesma substância do Pai, foi acrescentado no Símbolo: "consubstancial com o Pai".

Está, pois, esclarecido porque devemos crer que Cristo é o Filho Unigénito de Deus, e verdadeiro Filho de Deus; que sempre existiu com o Pai; que uma é a Pessoa do Filho, outra, a do Pai; que Ele tem uma só natureza com o Pai. Cremos nessas verdades, aqui, pela fé; conhecê-las-emos, porém, na vida eterna, por uma perfeita visão.

Tradução: Dom Odilão Moura, OSB (adaptada).

Fonte: http://www.permanencia.org.br/drupal/node/1467

Com a amizade em Cristo do Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

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